Memorando EUA-Irão assinado. Agência Internacional da Energia Atómica quer definir "medidas concretas"

Memorando EUA-Irão assinado. Agência Internacional da Energia Atómica quer definir "medidas concretas"

No memorando está prevista a redução das reservas de urânio iranianas sob a supervisão da AIEA.

Joana Raposo Santos - RTP /
Foto: Elisabeth Mandl - Reuters

A Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) disse esta quinta-feira estar pronta para definir as "medidas concretas" a aplicar no quadro da assinatura do memorando entre o Irão e os Estados Unidos, que prevê a redução das reservas de urânio de Teerão.

“É positivo que o memorando exista. Agora começa o trabalho técnico”, afirmou Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, aos jornalistas em Genebra.

“Agora cabe-nos a nós sentarmo-nos com os nossos colegas americanos e iranianos e começarmos a formular medidas concretas que terão de ser tomadas”, acrescentou.

O memorando de 14 pontos assinado na quarta-feira à noite prorroga o cessar-fogo anunciado em abril por mais 60 dias, incluindo no Líbano, para permitir que as duas partes negociem uma trégua definitiva nesse prazo.

“O facto de referirem que isto estará sob a supervisão e o controlo da AIEA é muito importante porque, nas nossas conversações, o que vamos fazer é definir o que precisamos de ver e aquilo a que precisamos de ter acesso”, explicou Gross.

O responsável adiantou que a amplitude do trabalho da AIEA será determinada pelas disposições finais do acordo e que as conversações técnicas procurariam detalhar os princípios gerais.

“Temos uma oportunidade e precisamos de a aproveitar”, afirmou, relembrando anteriores tentativas fracassadas de alcançar um acordo.

Washington e Teerão chegaram esta semana a acordo para pôr fim ao conflito iniciado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, que já fez milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano.

O memorando de entendimento, que inclui o Líbano, foi assinado por Donald Trump, que se encontrava de visita a França, e também já foi assinado pelo Irão.

O documento estipula o fim imediato da guerra, a diluição do urânio enriquecido e o levantamento das sanções a Teerão. Prevê ainda um apoio de 300 mil milhões de dólares para a reconstrução do Irão, num processo que fixa em 60 dias o prazo para concluir as negociações nucleares.

c/ Lusa
PUB